Natural de Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, é apontado pelas investigações como o principal elo entre o tráfico de drogas de São Paulo e o Nordeste. A prisão dele ocorreu durante a Operação Argos, considerada pelas autoridades como uma das maiores ofensivas já realizadas contra o narcotráfico interestadual na região.

Origens e ascensão no crime

Segundo as investigações, Jamilton deixou Cajazeiras ainda jovem e se mudou para São Paulo. Foi no sistema prisional paulista que ele teria fortalecido conexões criminosas, passando a integrar a engrenagem do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores facções do país.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

A partir dessas conexões, “Chocô” teria ampliado sua atuação e estruturado uma rede de distribuição de entorpecentes com forte presença na Paraíba, além de ramificações no Sertão de Pernambuco e no Ceará.

De acordo com a Polícia Civil, o grupo operava com logística considerada sofisticada. As drogas seriam transportadas em carretas de empresas legalizadas, camufladas em meio a cargas lícitas, dificultando a fiscalização.

Embora o núcleo estratégico estivesse em São Paulo, a base logística da organização funcionava em Cajazeiras, cidade natal do investigado, apontada como ponto de apoio e redistribuição.

Movimentação milionária e ostentação

As investigações revelaram que, desde 2023, o esquema teria movimentado cerca de R$ 500 milhões. Parte dos recursos era, segundo a polícia, lavada por meio de empresas de fachada e pessoas interpostas, incluindo profissionais de diferentes áreas.

A ofensiva também identificou um padrão de vida de alto luxo, com aquisição de imóveis, veículos de alto padrão e viagens frequentes.

O cerco começou após sucessivas apreensões de grandes carregamentos de drogas na Paraíba. Em uma das ações, mais de uma tonelada de entorpecentes foi interceptada. O cruzamento de dados apontou que as cargas teriam ligação com um mesmo fornecedor.

Antes mesmo da operação final, as apreensões já haviam causado prejuízo estimado em mais de R$ 100 milhões ao grupo criminoso.

A fase decisiva da Operação Argos mobilizou mais de 400 policiais civis. Ao todo, foram bloqueados mais de R$ 104 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados, além do sequestro de 13 imóveis e 40 veículos.

O nome da operação faz referência a Argos, personagem da mitologia grega conhecido por seus cem olhos, simbolizando a vigilância contínua das forças de segurança sobre o investigado.

Com a prisão de “Chocô” e o bloqueio dos bens, a Polícia Civil acredita ter atingido o núcleo financeiro, logístico e operacional do esquema, considerado um dos mais estruturados do Nordeste.

As investigações continuam para identificar outros envolvidos e possíveis ramificações do grupo em diferentes estados.

FONTE/CRÉDITOS: Por Repórter Caveira