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Nas primeiras horas desta quinta-feira (26), a Polícia Civil da Paraíba, por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), deflagrou a Operação Argos, considerada uma das maiores ofensivas já realizadas contra o narcotráfico interestadual com base no Sertão paraibano.
O principal alvo da ação foi o criminoso conhecido como “Chocó”, natural de Cajazeiras, apontado como líder de uma organização criminosa responsável por abastecer o tráfico de drogas em estados do Nordeste. Ele foi preso na cidade de São Paulo, em uma ação integrada com forças policiais paulistas.
Segundo as investigações, “Chocó” seria um elo direto com a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), atuando como principal “hub” de distribuição de entorpecentes para Paraíba, Pernambuco e Ceará.
A operação teve caráter nacional e resultou no cumprimento de dezenas de mandados de prisão. Conforme o balanço parcial divulgado:
- 3 mandados de prisão cumpridos em Cajazeiras
- 5 mandados cumpridos em Pombal
- 11 mandados cumpridos em São Paulo
- Outras ordens judiciais executadas em diferentes estados
- As ações ocorreram de forma simultânea nas primeiras horas da manhã, surpreendendo os investigados.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo teria movimentado cerca de R$ 500 milhões desde 2023, utilizando um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro.
Entre as medidas determinadas pela Justiça estão:
- R$ 104,8 milhões bloqueados em contas bancárias de 199 investigados
- Mais de R$ 100 milhões em prejuízo direto ao crime organizado entre apreensões e sequestro de bens
- Cumprimento de 44 mandados de prisão em cinco estados
A estratégia teve como foco a chamada “asfixia econômica” da organização criminosa, atingindo diretamente o núcleo financeiro do esquema.
O “tripé do crime”
As investigações apontam que a organização atuava com base em três pilares principais:
- 1. Logística de transporte – distribuição interestadual de drogas;
2. Varejo operacional – controle de pontos de venda;
3. Capital financeiro – lavagem e reinserção do dinheiro ilícito no sistema legal.
Além do tráfico, o grupo teria utilizado empresas de fachada e participado de licitações públicas, especialmente em contratos ligados a serviços de esgoto e coleta de lixo, para integrar recursos ilícitos à economia formal.
O nome da operação faz referência a Argos Panoptes, personagem da mitologia grega conhecido como o “gigante de cem olhos”, simbolizando vigilância constante.
Segundo a Polícia Civil, a escolha do nome representa o monitoramento contínuo e simultâneo das atividades criminosas em vários estados do país, culminando na prisão da principal liderança do esquema.
Base no Sertão, alcance nacional
Apesar de ter sido capturado em São Paulo, as investigações indicam que o “coração” da organização funcionava no Sertão da Paraíba, especialmente em Cajazeiras e região, onde parte significativa dos mandados foi cumprida.
A Operação Argos é considerada um dos golpes mais duros já desferidos contra o crime organizado no Sertão paraibano, atingindo diretamente a estrutura financeira e operacional da organização.
As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento de bens e ativos ligados ao grupo criminoso.
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