O que parecia ser uma aliança de aço, forjada em mais de 20 mil votos, transformou-se em um deserto de mensagens visualizadas e não respondidas. O cenário político de Cajazeiras foi sacudido por uma revelação bombástica: o ex-prefeito Zé Aldemir (PP), o principal fiador da eleição de Corrinha Delfino (PP), está há mais de 90 dias no "vácuo" pela sua própria sucessora.
Em entrevista ao radialista Levi Dantas, Aldemir não poupou detalhes sobre o isolamento que vem sofrendo. Segundo ele, o diálogo foi cortado abruptamente em 20 de outubro. O distanciamento é tão profundo que nem mesmo as datas tradicionais de afeto foram respeitadas:
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Sem votos de Natal;
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Sem mensagem de Ano Novo;
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Sem telefonema no aniversário de Aldemir (13 de janeiro).
O único contato recente teria sido um convite para o Carnaval, enviado friamente através de terceiros, sob a justificativa de "falta de tempo".
O motivo do racha tem nome e cargo: Assembleia Legislativa. O desgaste começou quando Zé Aldemir bateu o pé para ser pré-candidato a deputado estadual.
Corrinha, em uma manobra para evitar o choque direto com o deputado Júnior Araújo (PP) — que também busca a reeleição —, tentou empurrar Aldemir para a disputa federal. O ex-prefeito recusou, vendo na proposta uma "missão impossível" sem perspectiva de vitória. A partir daí, o que era parceria virou indiferença.
"Eu não posso estar mentindo, dizendo que ela falou comigo. Faz 90 dias que ela nunca mais ligou para mim. Eu não posso chegar ao ponto de não ter amor-próprio", desabafou Aldemir.
"Não Sou Mendigo de Atenção": Aldemir Recorre ao Povo
A postura de Zé Aldemir é de quem foi ferido no orgulho político. Ele deixou claro que não haverá um "pedido de desculpas" de sua parte. Para ele, a bola está com a prefeita. Ao se sentir desamparado pela máquina administrativa que ele mesmo ajudou a eleger, Aldemir agora joga para a arquibancada:
"Meu maior aliado é o povo. Se ela deu sinal que não queria conversar, eu tenho que ter meus valores", pontuou o ex-prefeito, minimizando o peso da prefeita em sua futura campanha.
A pergunta que ecoa nas esquinas de Cajazeiras é uma só: Corrinha Delfino está tentando se libertar da sombra de seu padrinho político ou está cometendo um erro estratégico que pode custar caro ao PP em 2026? Enquanto a prefeita mantém a estratégia do silêncio, o grupo político sangra publicamente, e a oposição assiste de camarote ao desmoronamento de uma das maiores uniões da história recente da cidade.

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