A federação formada pelos partidos União Brasil e Progressistas (PP) decidiu, nesta terça-feira (2), que todos os seus filiados devem deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi tomada em reunião entre os presidentes das legendas, Antonio Rueda (União Brasil) e Ciro Nogueira (PP), e marca o fim da participação formal dos dois partidos na Esplanada dos Ministérios.
Com a medida, os ministros André Fufuca (Esporte) e Celso Sabino (Turismo) — ambos deputados licenciados por PP e União Brasil, respectivamente — deverão deixar seus cargos até o fim de setembro. O rompimento também inclui o apoio das siglas a um projeto de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, mantendo, no entanto, a inelegibilidade do ex-presidente.
A decisão ocorre em meio à crescente pressão sobre os partidos do centrão para se posicionarem politicamente. Na semana passada, Lula cobrou fidelidade dos ministros durante reunião ministerial, sugerindo que deixassem seus cargos se não estivessem dispostos a defender o governo. A fala foi interpretada como um ultimato e acelerou os movimentos internos nas legendas.
Nos bastidores, Fufuca e Sabino tentaram resistir à saída, de olho nas eleições de 2026 — ambos têm planos de disputar o Senado e viam no apoio do Planalto um trunfo eleitoral. Ainda assim, a orientação das direções partidárias acabou prevalecendo.
Apesar do rompimento, algumas indicações políticas de União Brasil e PP devem continuar no governo. Entre elas, os ministros Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), ligados ao senador Davi Alcolumbre (União-AP), além de Carlos Vieira, presidente da Caixa Econômica Federal, nome ligado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Com a saída oficial dos dois partidos, a base governista na Câmara dos Deputados deve ser reduzida para 259 parlamentares — apenas dois a mais que o número mínimo para aprovar projetos de lei (257). O cenário acende um alerta no Planalto, que enfrenta queda de popularidade e tenta acelerar a aprovação de medidas econômicas para reverter o desgaste.
Um anúncio oficial das lideranças partidárias está previsto ainda para esta terça-feira.

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