O aumento das despesas compulsórias elevou a projeção de déficit primário para 2026 de R$ 29,5 bilhões para R$ 59,8 bilhões. Essa nova estimativa foi apresentada no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, entregue ao Congresso Nacional nesta terça-feira (24).

O déficit primário refere-se ao resultado negativo das contas públicas antes da consideração dos juros da dívida soberana.

A projeção leva em conta os precatórios, que foram excluídos da meta fiscal até 2026 conforme acordo firmado em 2023 com o Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, certos dispêndios com defesa, saúde e educação também estão fora da meta.

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Ao somar os precatórios e outras despesas isentas da meta fiscal, a previsão de gastos que não entram no cálculo do resultado primário atinge R$ 59,8 bilhões.

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A estimativa revisada do déficit primário total tem um impacto direto no endividamento governamental.

Contudo, ao subtrair os precatórios e as exceções fiscais, o governo projeta um superávit primário de R$ 3,5 bilhões.

O superávit primário indica a economia gerada pelo governo para a amortização dos juros da dívida pública.

Devido a essa perspectiva de superávit, o governo optou por não contingenciar verbas do Orçamento deste ano.

Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento realizaram um bloqueio de apenas R$ 1,6 bilhão. Essa medida é necessária para aderir aos limites de gastos estabelecidos pelo arcabouço fiscal, mas não está vinculada à meta de resultado primário.

Receitas e despesas sob análise

O relatório bimestral revisado indica uma redução de R$ 13,7 bilhões nas receitas líquidas em comparação com o valor originalmente aprovado no Orçamento de 2026.

Essa diminuição nas receitas seria mais acentuada se não fosse pelo aumento de R$ 16,7 bilhões nas projeções de royalties, impulsionado pela alta do preço do petróleo após o início do conflito no Oriente Médio.

A equipe econômica também antecipa um acréscimo de R$ 23,3 bilhões nas despesas totais. Deste montante, R$ 18,9 bilhões correspondem a gastos compulsórios e R$ 4,4 bilhões a despesas discricionárias (não obrigatórias).

No que tange às despesas, os principais impulsionadores foram os créditos extraordinários, que registraram um aumento de R$ 15,9 bilhões em relação ao Orçamento aprovado.

Adicionalmente, contribuíram para o aumento os repasses de R$ 1,6 bilhão para benefícios da Previdência Social e de R$ 1,9 bilhão para o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

No lado das receitas, as maiores reduções foram observadas na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Confins), com queda de R$ 13,5 bilhões, e no Imposto de Importação, com R$ 6,8 bilhões a menos.

A variação nas tarifas de importação está relacionada à desvalorização do dólar em comparação com a cotação prevista no Orçamento inicial.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil