A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) destacou que um dos principais desafios da recém-eleita presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados será combater o que ela descreve como um "sistema organizado de opressão, desigualdade, injustiça e ódio" direcionado a grupos historicamente marginalizados.

Em entrevista à Rádio Nacional, no programa Alô Alô Brasil, a parlamentar abordou suas prioridades e os obstáculos que a comissão enfrentará.

Durante sua participação, Hilton informou que acionou a Justiça Eleitoral contra a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP). A ação se baseia na alegação de fraude eleitoral, uma vez que Bolsonaro se declarou parda para se beneficiar de cotas raciais em sua campanha.

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A deputada federal também criticou o uso de 'blackface' por parte de Fabiana Bolsonaro, uma prática que, segundo Hilton, foi utilizada para atacar outra parlamentar.

O 'blackface' consiste na prática de uma pessoa branca pintar o rosto de preto com o intuito de satirizar pessoas negras.

Para Erika Hilton, essa conduta representa um ato racista, violento e grave, que excede os limites aceitáveis do debate político e da convivência social.

Prioridades da comissão

Na entrevista, a deputada federal apresentou as metas que pretende alcançar à frente da comissão, com destaque para o combate à misoginia e ao discurso de ódio. Ela ressaltou que esses fenômenos têm sido amplificados no ambiente digital, impactando negativamente mulheres, pessoas trans, crianças e minorias que historicamente foram excluídas da sociedade.

Erika Hilton relembrou que esses grupos alcançaram avanços significativos e conquistaram espaços por meio de muita luta e de políticas públicas. Contudo, ela observou que essas conquistas não foram bem recebidas por setores conservadores da sociedade.

"Existe uma guerra de narrativas contra esses grupos, cuja presença nesses espaços ainda incomoda profundamente essas pessoas [conservadoras]", afirmou, defendendo que a democracia, por sua natureza, deve abranger a diversidade e, portanto, incluir uma representação mais ampla de diferentes grupos.

Ampliação do conceito de mulher

A deputada reafirmou sua posição em favor da expansão do conceito de mulher, argumentando que essa definição não deve se limitar a aspectos biológicos.

Erika Hilton respondeu às críticas que questionavam a capacidade de uma mulher trans presidir uma comissão dedicada aos direitos das mulheres.

"A biologia não foi um fator determinante quando observamos a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo ou a Câmara Municipal, onde apenas homens ocuparam a Comissão de Defesa do Direito das Mulheres", contrapôs.

"E mulher não é apenas um ser biológico. Mulher é um ser social, cultural, político e material também", complementou.

Ela mencionou que várias parlamentares que a criticaram "estão atreladas ao PL da Pedofilia e ao PL do Estupro", referindo-se a propostas legislativas que visam garantir atendimento humanizado a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

Segundo Erika Hilton, muitas dessas parlamentares também votaram contra medidas que buscavam a igualdade salarial entre homens e mulheres.

"Como elas se sentem autorizadas a tentar desqualificar minha presidência, quando suas ações políticas sempre foram contrárias à dignidade das mulheres e das meninas brasileiras? Isso não se trata do discurso que elas propagam. Isso é preconceito e ódio", declarou.

Combate à violência digital

Erika Hilton também defendeu que o Legislativo brasileiro adote medidas mais rigorosas contra a escalada da violência no ambiente digital, cujos efeitos se estendem ao mundo real, resultando em cultura de estupro, feminicídio e ódio contra mulheres.

"Jovens são atraídos para plataformas que deveriam ser de jogos e acabam sendo expostos a organizações que promovem tortura e até assassinatos de animais. Precisamos fortalecer e aprimorar a legislação, estabelecendo responsabilidades e criando mecanismos de controle e segurança para os pais, além de proteção para crianças, adolescentes e mulheres. Caso contrário, esse ambiente se tornará uma 'terra sem lei'", concluiu.

A Agência Brasil buscou contato com o gabinete da deputada Fabiana Bolsonaro e aguarda manifestação.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil