A guerra entre facções criminosas que disputam cada rua entre Luís Gomes-RN e Uiraúna-PB saiu do sigilo dos becos e ganhou as redes sociais, escancarando o terror que se instalou na fronteira dos dois estados. Mensagens de ameaça publicadas em comentários deixam claro: quem for de Luís Gomes não deve pisar em Uiraúna, sob risco de morte.

Após a morte de Petrúcio, morador de Uiraúna, assassinado a tiros em Luís Gomes no último sábado (19), e outros crimes violentos nos últimos dias, a região vive um clima de tensão máxima, com moradores com medo de sair às ruas e comerciantes antecipando fechamentos ao anoitecer.

Imagem enviada a nossa redação
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Comentários de ameaça escancaram o medo

Nos comentários de uma publicação sobre o crime em Uiraúna, um perfil identificado como “thau.an721” deixou claro que a guerra entre facções irá cobrar mais sangue:

 

“Agora vai ser o seguinte, já que a justiça não quer tomar nenhuma providência, vai ter muito derramamento de sangue de verdade agora, já que ninguém de Uiraúna pode se quer andar em Luís Gomes, então quem for da cidade de Luís Gomes e andar na cidade de Uiraúna vai morrer. Papo reto, já que não estão nem aí, então prestem bem atenção. Quem for de Luís Gomes e for para Uiraúna vai só morrer.

Outro perfil, “sangado17”, reforçou a ameaça:

“Papo reto pega a visão isso não vai ficar em vão… quem for de Luís Gomes não ande em Uiraúna.”

As mensagens geraram pânico entre moradores e foram printadas e encaminhadas às autoridades de segurança, que já investigam a origem das contas, podendo ser utilizadas como provas de intimidação e formação de organização criminosa.

Disputa entre PCC e Nova Okaida

Conforme apurado pele nossa reportagem, a violência entre as cidades tem como pano de fundo a guerra entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a facção Nova Okaida, que disputa território para tráfico de drogas e outras atividades criminosas. Recentemente, uma operação policial na serra de Luís Gomes resultou na morte de Francisco Genário Carneiro de Souza (“Genário”), líder da Nova Okaida, e de outros três suspeitos, incluindo Alan Franklin de Andrade, 19 anos, morador de Uiraúna.

A morte de Genário e o avanço do PCC em áreas dominadas pela Nova Okaida teriam motivado retaliações em forma de execuções, entre elas o assassinato de Sebastião Deodato de Andrade, morto dentro de casa em Uiraúna, quando suspeitos armados invadiram o imóvel e perguntaram se ele tinha ligação com um homem apelidado de “Galego do Varelo” antes de atirar.

População refém da guerra

Enquanto facções disputam cada metro de território, os moradores de Uiraúna e Luís Gomes vivem reféns do medo, evitando sair de casa à noite e convivendo com o risco de serem confundidos com rivais em cada esquina.

A Polícia Civil e Militar seguem realizando operações para conter os ataques, mas a violência parece não ter data para acabar, deixando famílias em luto e um rastro de sangue em duas cidades que antes eram conhecidas pela tranquilidade.

“Não vai ficar em vão”

As ameaças de morte publicadas nas redes indicam que novos ataques podem ocorrer a qualquer momento, e os moradores clamam por uma resposta das autoridades antes que mais vidas sejam ceifadas em uma guerra que parece não ter fim.

De acordo com informações obtidas pelo Repórter Caveira, as forças de segurança da Paraíba e do Rio Grande do Norte estão monitorando atentamente a movimentação dessas facções, assim como mensagens suspeitas e ameaças públicas, para identificar possíveis autores e evitar novos confrontos armados.

Polícias Civil e Militar seguem realizando operações para conter os ataques, mas a escalada de violência preocupa moradores, que pedem proteção antes que mais vidas sejam ceifadas nesta guerra de facções.

FONTE/CRÉDITOS: Repórter Caveira