Brasil e Estados Unidos formalizaram um pacto de cooperação bilateral com o objetivo de intensificar as ações contra o tráfico transnacional de armamentos e entorpecentes.

Essa aliança estratégica estabelece o compartilhamento contínuo e digital de dados sobre as apreensões realizadas nas alfândegas de ambas as nações. O intuito é agilizar a investigação para detectar padrões, rotas e as ligações entre quem envia e quem recebe os itens proibidos.

O detalhamento dessa cooperação, que envolve a Receita Federal do Brasil e o U.S. Customs and Border Protection (CBP), órgão responsável pelas fronteiras norte-americanas, ocorreu nesta sexta-feira (10). O anúncio seguiu um encontro de representantes dos dois governos no Ministério da Fazenda.

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Conforme o ministro Dario Durigan, a facilitação desse “compartilhamento qualificado de informações” entre Brasil e EUA proporcionará a ambos os países maior capacidade de realizar, de forma coordenada, operações não apenas nos pontos de chegada, mas também nas origens das remessas ilegais.

“Este é um passo crucial que estamos dando, visando o combate ao crime organizado em ambas as nações”, declarou o ministro, sublinhando que o intercâmbio recíproco de dados será implementado nas alfândegas dos dois países.

A detecção de entorpecentes, armamentos ou componentes de armas em contêineres marítimos ou em terminais aeroportuários permitirá aos investigadores identificar e compartilhar dados sobre as táticas cada vez mais elaboradas de camuflagem de armas de fogo e substâncias ilícitas.

Raio-X

Conforme o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, o emprego de tecnologias avançadas, como o uso de raio-x em contêineres, tem contribuído para um incremento nas apreensões de peças destinadas à montagem de armamentos.

O secretário informou que, no território brasileiro, todos os contêineres em trânsito de saída são submetidos a escaneamento.

“Visto que a identificação de armas por meio de raio-x é mais eficiente, as organizações criminosas transnacionais têm optado por despachar peças avulsas. Essa tática explica o crescimento nas apreensões de componentes”, explicou o secretário.

O encontro com os representantes norte-americanos também teve a presença do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Ele revelou que mais de 1.100 armas e componentes bélicos foram interceptados nas alfândegas brasileiras ao longo dos últimos 12 meses.

“Adicionalmente, no primeiro trimestre de 2026, apreendemos mais de 1.500 toneladas de entorpecentes provenientes dos EUA”, complementou. Segundo a PF, as substâncias ilícitas confiscadas consistiam principalmente em drogas sintéticas e haxixe.

Desarma

Um dos resultados mais significativos do acordo entre Brasil e EUA é a implementação do Programa Desarma. Este sistema informatizado da Receita Federal visa expandir a capacidade de rastreamento global de armas e materiais de natureza sensível.

Quando a alfândega brasileira detecta produtos de origem norte-americana – como armas, munições, peças, componentes, explosivos e outros itens sensíveis – ou vice-versa, essa ferramenta registra e organiza “dados estratégicos das apreensões”.

Entre as informações registradas estão o tipo de material, a origem declarada, detalhes logísticos da carga e quaisquer identificadores ou números de série. Esses dados possibilitam o rastreamento da procedência dos produtos e o mapeamento das redes ilícitas de comércio internacional de armamentos.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil