Um dos nomes mais conhecidos da segurança pública no Sertão paraibano, o delegado Braz Morrone, que atuou como delegado seccional na região de Cajazeiras entre os anos de 2014 e 2017, foi preso na manhã desta terça-feira (2) durante a Operação Perfidus, deflagrada em conjunto pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB).

A operação investiga um suposto esquema criminoso envolvendo tráfico de drogas, corrupção, vazamento de informações sigilosas e manipulação de procedimentos policiais. Além de Braz Morrone, dois investigadores da Polícia Civil e um ex-policial militar estão entre os alvos presos pelas forças de segurança.

Segundo as investigações, a organização criminosa teria utilizado a própria estrutura do Estado para favorecer integrantes do tráfico de drogas, comprometendo ações policiais e desviando entorpecentes apreendidos.

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Durante sua passagem por Cajazeiras e região, Braz Morrone ganhou notoriedade por conduzir investigações de grande repercussão, tornando-se um nome conhecido no combate à criminalidade no Alto Sertão. Agora, o delegado passa a figurar no centro de uma investigação que apura justamente a utilização indevida da atividade policial para supostos interesses criminosos.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão em diversas localidades do estado. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões, valor que, segundo as autoridades, estaria ligado ao fluxo financeiro das atividades investigadas.

Conforme apontam as apurações, os investigados recebiam informações privilegiadas sobre imóveis e veículos usados por traficantes para armazenamento e transporte de drogas. Com esses dados, os suspeitos realizavam intervenções clandestinas, utilizando a aparência de ações policiais legais para encobrir práticas ilícitas.

Parte dos entorpecentes apreendidos nessas operações, ainda segundo as investigações, teria sido desviada e posteriormente comercializada ilegalmente, inclusive dentro do sistema prisional. Os lucros seriam repartidos entre agentes públicos e demais integrantes da organização criminosa.

As investigações também revelaram indícios de manipulação de procedimentos policiais, retirada clandestina de drogas armazenadas em unidade policial e repasse sistemático de informações sigilosas sobre operações às facções criminosas, permitindo fuga de suspeitos, frustração de diligências e continuidade do tráfico.

O nome da operação, “Perfidus”, vem do latim e significa “traidor” ou “desleal”, numa referência à conduta atribuída aos investigados, que teriam, segundo os órgãos de investigação, usado prerrogativas e estruturas estatais para beneficiar atividades criminosas.

A defesa dos investigados ainda não havia se pronunciado até a publicação desta matéria.

FONTE/CRÉDITOS: PBAlerta