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A abertura do Ano Legislativo na Câmara Municipal de Joca Claudino, realizada na noite desta sexta-feira (6), entrou para a história política do Sertão paraibano. Em um anúncio que surpreendeu vereadores e a população, o prefeito Rinaldo Cipriano revelou a intenção de iniciar os trâmites legais para que o município volte a se chamar oficialmente Santarém, nome que marcou a origem e a trajetória da cidade.
Localizado a cerca de 480 quilômetros de João Pessoa, na região de Cajazeiras, o município vive agora um momento de reflexão profunda sobre sua identidade, memória coletiva e pertencimento histórico.
Para compreender a dimensão do anúncio, é necessário revisitar a história local. O município nasceu e se desenvolveu sob o nome de Santarém, denominação que acompanhou gerações de moradores e se consolidou como referência cultural e afetiva da população.
Em 9 de novembro de 2010, uma lei estadual alterou o nome da cidade para Joca Claudino, em homenagem póstuma ao empresário João Claudino Sobrinho, fundador de um dos grupos econômicos mais influentes do Nordeste. Desde então, a mudança divide opiniões: enquanto parte da população considera a homenagem justa e merecida, outra parcela entende que a decisão política acabou apagando a identidade histórica do município.
Discurso emocional e apelo ao diálogo
Durante sua mensagem anual ao Legislativo, o prefeito Rinaldo Cipriano adotou um tom emocional e conciliador, afirmando que a proposta não nasceu em gabinetes, mas do contato direto com a população.
“O nome de uma cidade não é apenas uma designação administrativa; ele é memória, cultura e identidade coletiva. Quando um povo, de forma reiterada e legítima, clama por esse resgate simbólico, cabe ao gestor ouvir e refletir”, destacou o prefeito.
O gestor reforçou que não haverá qualquer tipo de imposição política e que todo o processo será conduzido com base na legalidade e no diálogo democrático.
Segundo Rinaldo Cipriano, a possível mudança de nome seguirá rigorosamente os trâmites jurídicos e constitucionais. Entre as etapas previstas estão:
- Consulta popular, com a possibilidade de realização de um plebiscito para ouvir diretamente a vontade dos moradores;
- Apreciação da Assembleia Legislativa da Paraíba, responsável por aprovar eventual nova lei estadual;
- Garantia de segurança jurídica, com a atualização de registros e documentos oficiais junto a órgãos como IBGE, Receita Federal, cartórios e demais instituições.
O anúncio já repercute em toda a região. De um lado, há o respeito à memória e à importância histórica da família Claudino para o desenvolvimento econômico local. Do outro, cresce o sentimento de pertencimento daqueles que se identificam como “santarenses” e defendem o resgate do nome original como símbolo das raízes do município.
O debate promete ganhar força nos próximos meses e deve mobilizar lideranças políticas, entidades civis e a população em geral, em uma decisão que vai além da nomenclatura e toca diretamente na história e na identidade do povo.
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