A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados deu um passo significativo nesta quarta-feira (10) ao aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. A decisão, tomada com 44 votos favoráveis e 18 contrários, marca o início de uma complexa jornada legislativa para a matéria.

Apesar da aprovação na CCJ, a proposta está longe de se tornar lei. Ela não seguirá imediatamente para votação no plenário da Casa, mas sim para etapas subsequentes que demandarão tempo e debate.

O próximo estágio do processo envolve a formação de uma Comissão Especial temporária, criada por ato da Mesa Diretora da Câmara. Este grupo de parlamentares terá a responsabilidade de analisar o mérito da proposta em profundidade.

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Nessa comissão, serão realizadas audiências públicas para ouvir diversos setores da sociedade, além da possibilidade de sugerir modificações ao texto original. Após essa fase de análise e debate, a comissão votará um relatório final.

Se a Comissão Especial aprovar o texto, a matéria será então enviada para deliberação no Plenário da Câmara dos Deputados. Por ser uma Proposta de Emenda à Constituição, sua aprovação exige um quórum qualificado.

São necessários os votos favoráveis de, no mínimo, três quintos dos deputados, o que corresponde a 308 dos 513 parlamentares, em dois turnos de votação. Uma vez aprovada na Câmara, a PEC seguirá para o Senado Federal, onde passará por um rito de tramitação similar.

Histórico da proposta

A PEC 32/2015, que originalmente buscava estabelecer a "plena maioridade civil e penal aos 16 anos de idade", foi apresentada em maio de 2015 pelo então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) e outros parlamentares. Desde sua proposição, a matéria permaneceu sob avaliação da CCJ para verificar sua constitucionalidade.

Ao longo de 11 anos, a PEC teve, no mínimo, três relatores distintos e chegou a ser arquivada pela Mesa Diretora em 2019. O debate em torno do texto foi intensificado nos últimos meses, culminando na leitura do parecer favorável à admissibilidade jurídica pelo relator atual, deputado Coronel Assis (PL-MT), no final de maio.

A votação final na CCJ ocorreu após a rejeição de diversos requerimentos de adiamento, apresentados por parlamentares da oposição que buscavam postergar a decisão sobre a matéria.

Alterações no texto original

Embora a proposta original previsse uma maioridade plena, englobando aspectos civis e penais, o relator apresentou um substitutivo que preserva as regras cíveis vigentes.

Com essa alteração, os direitos políticos e a maioridade civil dos jovens não serão impactados pela PEC. O alistamento eleitoral e o exercício do voto continuarão sendo facultativos para cidadãos a partir dos 16 anos e obrigatórios apenas ao completarem 18 anos de idade.

Durante a tramitação na CCJ, parlamentares favoráveis à medida argumentaram que a redução da maioridade penal responde a uma demanda social por maior segurança pública e responsabilização criminal.

Por outro lado, deputados contrários à proposta sustentaram que a alteração viola direitos fundamentais previstos na Constituição e defenderam que o foco deveria ser em investimentos e políticas públicas voltadas para educação e inclusão social.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Cardoso - Repórter da Agência Brasil