A Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados aprovou recentemente o Projeto de Lei 3256/25. Esta iniciativa crucial visa fortalecer a proteção de crianças e adolescentes órfãos em todo o país, ao propor alterações significativas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O objetivo principal do projeto é modificar o arcabouço legal vigente para assegurar direitos específicos a menores que perderam seus pais ou responsáveis. Reconhece-se que a orfandade transcende uma mera situação familiar, gerando desafios econômicos, emocionais e sociais que demandam suporte estatal.

Direitos assegurados e atendimento especializado

Entre os direitos fundamentais previstos, destacam-se o apoio integral durante o processo de luto, a garantia de escuta qualificada por profissionais devidamente preparados, e o direito inalienável de conhecer a própria história familiar e seus antepassados.

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O texto também contempla a provisão de atendimento especializado quando a orfandade decorrer de circunstâncias particularmente traumáticas. Isso inclui situações como feminicídio, pandemias, desastres naturais ou outras formas de mortes violentas.

A proposta eleva a orfandade à categoria de situação de vulnerabilidade social. Consequentemente, crianças e adolescentes órfãos terão acesso prioritário a uma gama de serviços e benefícios oferecidos pela assistência social. A medida busca, ainda, estender o apoio a familiares ou outros responsáveis que assumem os cuidados dessas crianças após a perda dos pais.

Comunicação obrigatória para agilidade

Um dos mecanismos mais inovadores do projeto é a criação de um sistema para identificar rapidamente crianças e adolescentes que possam ficar desprotegidos após a morte dos pais. O registro de óbito, ao indicar a ausência de um responsável sobrevivente, obrigará o cartório a comunicar o caso ao Sistema de Garantia de Direitos.

Essa comunicação compulsória visa impedir que esses menores permaneçam invisíveis ao poder público. A intenção é assegurar um acompanhamento célere e eficaz, evitando lacunas na proteção.

A relatora do projeto, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), recomendou a aprovação da proposta, de autoria da deputada Juliana Cardoso (PT-SP), com emendas. As modificações introduzidas possuem caráter técnico, buscando harmonizar o texto com leis existentes e evitar a revogação indevida de trechos cruciais do ECA e da Lei de Registros Públicos.

Conforme destacou a relatora, “Ao prever a comunicação obrigatória ao Sistema de Garantia de Direitos quando inexistir responsável sobrevivente, o projeto cria instrumento eficaz de resposta rápida do Estado, evitando que crianças e adolescentes permaneçam invisíveis ao poder público.”

Próximas etapas legislativas

A tramitação do projeto prossegue agora para análise, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que se torne lei, o texto necessitará de aprovação tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

FONTE/CRÉDITOS: Agência Câmara Notícias