O governo federal, por meio do ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), Paulo Henrique Pereira, anunciou nesta quinta-feira (28) a análise para ampliar a capacidade de contratação de funcionários por Microempreendedores Individuais (MEIs). Essa medida surge como uma resposta direta à recente aprovação da alteração na jornada de trabalho dos brasileiros, buscando mitigar possíveis impactos nos pequenos negócios.

A iniciativa governamental vem na esteira da aprovação, na última quarta-feira (27), pela Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019. Tal PEC visa eliminar a escala de trabalho 6x1 e diminuir a carga horária semanal de 44 para 40 horas, mantendo os salários. O texto agora aguarda avaliação e votação no Senado Federal.

O ministro Pereira enfatizou o compromisso do governo em buscar soluções, assegurando que "ninguém vai ficar para trás" diante das novas regulamentações.

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Ele explicou que o foco é analisar as necessidades de negócios de pequeno e médio porte que podem ser impactados pela mudança. A discussão central é se o MEI, que atualmente tem limites de contratação, poderá ter a permissão para um funcionário adicional ou a possibilidade de um contratado temporário para suprir a demanda.

Conforme a legislação vigente, o Microempreendedor Individual está autorizado a contratar apenas um empregado, cuja remuneração não pode exceder um salário mínimo ou o piso salarial de sua respectiva categoria profissional.

A declaração do ministro, feita durante entrevista ao programa Bom dia, Ministro, da EBC, aborda uma preocupação crescente entre micro e pequenos empresários. Eles argumentam que a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o fim da escala 6x1 exigirão a contratação de mais pessoal para garantir a cobertura de folgas e a continuidade das operações.

Regulamentação específica por setor

Ao ser indagado sobre os potenciais impactos das alterações na jornada de trabalho – como o aumento de custos para o consumidor ou a diminuição de vagas –, o ministro esclareceu que o governo planeja implementar regulamentações setoriais. Essas normas serão desenvolvidas através de um diálogo construtivo com todas as partes interessadas, visando soluções equilibradas.

O titular do MEMP detalhou que, após o estabelecimento de uma regra geral para a nova legislação, será elaborada a regulamentação prática. O objetivo é garantir o cumprimento da jornada máxima de trabalho de 40 horas e assegurar o direito de cada trabalhador a duas folgas semanais.

Pereira salientou que a nova lei demandará regulamentações detalhadas. Ele explicou que, inicialmente, será construído um arcabouço legal mais abrangente, seguido pela especificação de como o regime de jornada de trabalho será aplicado em cada segmento e atividade. "Há muito trabalho e muitos detalhes a serem definidos", afirmou.

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Teto de faturamento do MEI e impactos econômicos

O ministro Paulo Pereira também foi questionado sobre a potencial revisão do teto de faturamento anual para o MEI. Ele detalhou os possíveis desdobramentos de uma eventual renúncia fiscal associada a essa alteração.

Segundo Pereira, elevar o limite de faturamento do MEI implicaria em uma renúncia de receita para o governo, com importantes repercussões macroeconômicas. Ele alertou que um desequilíbrio fiscal, onde os gastos superam a arrecadação, poderia desencadear inflação e aumento das taxas de juros, afetando diretamente o próprio empreendedor.

Atualmente, o limite de faturamento anual para o MEI comum é de R$ 81 mil, com valor proporcional no ano de abertura. Para o MEI Caminhoneiro (transportador autônomo de cargas), o teto se estende a R$ 251,6 mil por ano, equivalente a R$ 20.966,67 mensais.

Existem propostas em tramitação para alterar esses limites. O Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/21, já aprovado pelo Senado, sugere elevar a receita bruta anual permitida para o MEI para R$ 130 mil. Adicionalmente, um projeto em análise na Câmara dos Deputados propõe um teto de R$ 145 mil, com atualização anual baseada na inflação oficial.

O ministro do MEMP ressaltou a necessidade de estudos aprofundados para qualquer modificação fiscal, a fim de evitar impactos negativos nas contas públicas ou o enfraquecimento do mercado de trabalho formal.

Ele foi categórico ao afirmar que não é possível aumentar o teto do MEI sem uma solução que neutralize os impactos macroeconômicos. "Atualmente, o governo não possui uma proposta formal para o aumento do teto do MEI", concluiu.

Benefícios sociais e econômicos da nova jornada

Em contrapartida, o ministro destacou os significativos ganhos sociais esperados com o fim da escala 6x1, beneficiando aproximadamente 15 milhões de trabalhadores. Além disso, cerca de 38 milhões de pessoas terão um impacto positivo com a implementação da jornada de trabalho de 40 horas semanais. Ele previu, paralelamente, um fortalecimento da economia nacional.

Pereira argumentou que a maior disponibilidade de tempo permitirá aos cidadãos dedicar-se mais aos estudos, à saúde, à família e até mesmo a atividades empreendedoras. Ele observou que muitos empreendedores brasileiros conciliam o trabalho formal com atividades extras nos fins de semana, como vendas ou condução de veículos por aplicativo. Com mais tempo livre, haverá também um aumento no consumo de lazer, como cinema, restaurantes e lanchonetes, impulsionando positivamente a economia brasileira.

FONTE/CRÉDITOS: Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil