O Supremo Tribunal Federal (STF) tem encontrado obstáculos para efetuar a notificação do deputado federal Mário Frias (PL-SP), a fim de que ele forneça informações acerca do direcionamento de emendas parlamentares a uma organização não-governamental (ONG) que possui vínculo com a produtora encarregada da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mário Frias, apontado como produtor-executivo da obra cinematográfica, está sob investigação preliminar no STF devido a um alegado desvio de finalidade na alocação de R$ 2 milhões para o Instituto Conhecer Brasil. Esta entidade, por sua vez, mantém conexão com a Go Up Entertainment, produtora audiovisual responsável pela gravação de "Dark Horse", um filme ainda inédito que narra a trajetória política do ex-presidente.

Na segunda-feira, dia 18, um oficial de justiça dirigiu-se ao endereço do parlamentar em Brasília. Contudo, o porteiro do prédio informou que Frias não reside mais naquele local há pelo menos dois anos.

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A indicação do referido endereço partiu da Câmara dos Deputados, em resposta à determinação do ministro Flávio Dino, relator da causa, para que fosse informado o local de moradia do deputado.

Previamente, na quarta-feira, dia 13, o oficial tentou contato telefônico com o gabinete de Frias na Câmara dos Deputados. A secretária do parlamentar, na ocasião, comunicou que ele se encontrava "em missão internacional" e sem data definida para seu retorno.

O Supremo Tribunal Federal já havia realizado outras tentativas de notificação a Mário Frias em 31 de março, bem como nos dias 7 e 14 de abril.

A origem do processo no STF remonta a uma representação formal apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

Frias, por sua vez, defende a inexistência de irregularidades nas emendas e invoca um parecer da Advocacia da Câmara, que corrobora a ausência de inconsistências ou vícios de natureza formal.

A existência do filme, que aborda a trajetória política de Bolsonaro, ganhou destaque após o site The Intercept divulgar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou recursos financeiros ao banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar as filmagens.

Subsequentemente à revelação do diálogo entre Flávio e Vorcaro, ocorrido em novembro do ano anterior, o senador refutou ter acordado qualquer benefício indevido com o banqueiro, afirmando que os fundos envolvidos eram de origem particular.

FONTE/CRÉDITOS: André Richter - Repórter da Agência Brasil